29 de ago de 2009

“UMA CÂMARA NA MÃO E UMA IDÉIA NA CABEÇA”

Em meio a uma (má) fase do cinema brasileiro, em que as grandes produções eram “recheadas” por um vazio temático e pregavam um falso populismo, surge Glauber Rocha (1938-1981), diretor de cinema, jornalista, escritor e teórico brasileiro.

Glauber foi um dos principais ideólogos do Cinema Novo, movimento que surgiu com a intenção de renovar o cinema brasileiro através da crítica. Sofreu influências do neo-realismo italiano, da nouvelle vague francesa, e da teoria do cinema de autor, que estimula a produção independente, fugindo dos esquemas estéticos e temáticos dos filmes hollywoodianos. Foi Glauber Rocha que proferiu a célebre frase “uma câmara na mão e uma idéia na cabeça”, palavra esta que causa controvérsias até os dias atuais.

Certas obras como Deus e o Diabo na terra do sol (1964) e o Dragão da Maldade contra o santo guerreiro (prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 1969), que tratam do cotidiano e da mitologia do Nordeste brasileiro, são importantíssimas na história do cinema nacional, pois deram corpo ao Cinema Novo.

Glauber Rocha criticou de forma explícita a burocracia que reprime a produção artística. Para ele, “a crítica se nutre da arte e a arte, da vida”, essa troca de informações reage cada vez que a arte se rompe. Glauber achava que a fragilidade da crítica e a decadência artística eram resultadas de uma prática intelectual incapaz de impor suas idéias.

O jeito de Glauber fazer cinema, além de inovador, era forte. Numa época em que a censura era máxima e os recursos eram mínimos, Glauber Rocha mostrou que a vontade e o comprometimento com a sociedade são aspectos que fazem qualquer um, que realmente goste do que faz, esquecer das dificuldades.

Em 1970, Glauber foi premiado pelo Instituto Nacional do Cinema do Brasil como o melhor diretor brasileiro.

“Nosso cinema é novo porque o homem brasileiro é novo e a problemática do Brasil é nova e nossa luz é nova e por isso nossos filmes nascem diferentes dos cinemas da Europa.”
Texto de Alexandre Santos*
(*) Alexandre Santos é aspirante a radialista, editor do fanzine CulturAqui, realizador audiovisual do CineClube Zé Dumont e produtor do Candeeiro Encantado (casa de cultura).

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