18 de dez de 2009

Dor: um Prato Feito para os meios de comunicação

Saber da morte de um filho, esperado há nove meses, já deve ser doloroso. Saber que o filho morreu possivelmente por um erro médico, negligência ou coisa do tipo, provavelmente, além da dor, traz revolta.

Não sou médico. Também não sei qual motivo levou o obstetra do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida - ISEA, de Campina Grande, que realizou o parto dessa criança, optar por um parto normal, mesmo sabendo que, de acordo com o histórico do pré-natal, ela estava sentada. Por isso vou me ocupar exclusivamente em tratar a forma como os meios de comunicação tratam matérias dessa natureza.

Não bastassem os programas policiais, que, além de patrocinar a violência e o consumo de drogas, imprimem o ódio entre pessoas de comunidades menos favorecidas, explicitadas nas formas que tratam, por exemplo, uma adolescente de 15 anos, assassinada essa semana, e que, casada (ou vivendo junto com um homem), por ser de classe baixa, teve sua honra e idoneidade questionadas, os jornais impressos, e os portais também, por pura falta de ética, colocam fotos, exibindo os momentos de dor e de terror das famílias vitimadas pela violência, falta de segurança e falta de consideração para com o ser humano.

O Portal Correio, do Sistema Correio de Comunicação, exibiu a foto da criança morta, com a faixa no pescoço, um caixão ao lado e, como se a humilhação e a dor já não fosse o suficiente, o rosto do menino também aparece virado para a câmera, como se posasse para uma revista de modas ou coisa do tipo, durante toda a manhã de hoje e as primeiras horas desta tarde.

Obviamente já me deparei com coisa pior, o sarcasmo do Jornal JÁ, vendido a preço bem popular, misturando a apelação da sexualidade, com situações de insegurança, medo e desprezo, juntadas num liquidificador, adicionado de colheradas de muito humor de quinta.

A família do agricultor da zona rural de Taperoá recorreu, acertadamente, ao Ministério Público que, juntamente com a Policia Civil, irá investigar o caso da morte do seu filho, uma vez que o laudo médico aponta para parada cardiorrespiratória, mesmo sendo possível perceber alongamento do pescoço e vários pontos ao redor dele, o que indica que o filho de seu Levi pode ter sido degolado.

Também o MP deve “dá uma chamada” nessas empresas de comunicação que usam a dor de muitos, o sensacionalismo e a falta de compaixão, para agregar anunciantes.

A foto de que falo estava disponível no link abaixo, mas, a pedido de alguém de bom senso, ou obrigado por algum órgão como o MP, os responsáveis pela sua publicação a retiraram do ar, deixando apenas a nota. Como não tive acesso ao jornal na sua forma impressa, fica a minha torcida para que, da mesma forma que retiraram a foto do Portal, também o bom senso tenha chegado aos editores de Correio da Paraíba e que não se tenham utilizado artifício baixo para vender seus expemplares.

Um comentário:

carol disse...

é, mas apesar dos apelos, a edição impressa do dia 18, do Jornal Correio da Paraíba, trouxe a foto do garoto, provavelmente a mesma que estava estampada no Portal.