29 de fev de 2012

E a ética do jornalismo?

Visivelmente desesperada, uma senhora, mãe de um adolescente que, segundo o jornalista que cobriu o caso, tinha envolvimentos com drogas, embora a mãe só tenha vindo à saber pela matéria publicada no jornal, presta declarações, aos berros, obvio, pela morte do filho, à singular figura da imprensa que futuramente veio a faturar algum percentual da venda de panos de prato no jornal policial do meio-dia.
Essa situação é tão corriqueira quanto o ato de defecar, urinar, comer ou beber água. Essa situação é tão humilhante quanto defecar em praça pública, ser impedido de urinar pela PM, não ter o que comer ou tomar água insalubre e morrer à porta de um hospital por falta de assistência.
Mais, se a situação é tão humilhante, e se vivemos beirando o século XXII, porque os defensores dos direitos humanos abaixam a cabeça quando o assunto é jornalismo policial? Melhor! Por que as autoridades, sejam elas governamentais ou policiais, jamais tomaram qualquer atitude para manter as integridades morais de centenas de mães que, como a do caso acima, prestam informações a bandidos transvestidos de jornalistas que faturam milhares de reais com a exploração do sofrimento alheio?
Será que por serem pobres, negros, mulheres, viciados, marginais (à margem de que?), estes têm por obrigação o financiamento da venda da NARCISO no telejornal policial que jorra sangue e deprime famílias inteiras dia-após-dia sempre ao meio-dia? A classe média também passa por situações semelhantes e sequer temos noticia, nem uma nota nos jornais. Então, o que os difere?
Essas respostas eu não tenho, mas sito abaixo alguns trechos do chamado Código de Ética dos Jornalistas, publicada no sítio http://saladeimprensa.org/art897.pdf e disponível para baixar.
No Capítulo II, Da conduta profissional do jornalista, o artigo 6° relata de forma clara que, entre os deveres do profissional está: VIII - respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão. O artigo seguinte diz o que não pode ser feito pelo jornalista – Artigo  7° - O jornalista não pode:  IV - expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais; V - usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime.
O Capítulo IIIO artigo 9° fala da responsabilidade do jornalista, entre elas os artigos 9°: A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística. Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações: II - de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes.
Além de imoral e ir de encontro com as deliberações do código de ética profissional, a irresponsabilidade dos meios de comunicação nas coberturas de acidentes, assassinatos, ações policiais e outros delitos que deem cara de matéria policial pode causar danos irreparáveis à pessoa. Imagine a situação do pai que, retornando de uma viagem, assiste à TV num restaurante qualquer e se depara com a notícia da morte trágica de seu filho!
Ainda nessa mesma perspectiva, veicular todos os dias, a violência nas comunidades tidas como de baixa renda (uma vez que não existe violência nos bairros nobres, praticados por seus moradores), faz com que as pessoas destas localidades aceitem essa violencia como algo natural, do cotidiano e, como num efeito borboleta, passem a praticá-la.
Isso sem contar com as matérias forjadas pelas emissoras, anunciadas tão comumente nos filmes de bang-bang atuais.
Alguém acredita em uma saída para esse caos televisivo?
Proponho que assista “Abaixando a máquina
Proponho também que assista este vídeo abaixo. É uma prova de que vale tudo nesse jornalisto seboso. Inclusive difamar o trabalho de agentes de segurança pública:



3 comentários:

Bruno Falcão disse...

É Bem verdade tudo isso, George. Aliás, é uma mentira que ainda está se sustentando. Multiplicam-se sofrimentos a fim de se lucrar com audiência e propaganda em cima deles. Ética e jornalismo paraibano parecem ser coisas antagônicas, cada uma de um lado da margem de um rio, que como você disse, "jorra sangue".

George Martins disse...

Esse vídeo que eu postei depois do texto, o do desabafo da delegada da mulher, é apenas uma prova de como atuam os senhores portadores de total sapiência da TV.

Alem d tudo é um crime contra a Constituição de 1988.

Diego França disse...

Parabéns pelo texto, concordo plenamente com você, os Jornais da hora do almoço fazem da morte do crime um espetáculo onde o maior prejudico é o povo e os lucra Dores são os mesmos.