22 de set de 2013

Consciente politicamente


Ouvi dizer, certa vez, que o povo brasileiro tem consciência política. Era difícil crer porque as pessoas que me falavam aquilo eram pessoas conscientes politicamente de que aquele discurso não era verídico. Hesitei! Fui rechaçado. Continuei minha saga de homem do contra até nas rodas de pessoas ‘do contra’. Tão logo me vi sem mais argumentos para convencer quem quer que fosse, me calei. E aguardei.

Daí, vieram as manifestações da época em que o gigante havia acordado. E li (e ouvi) que o povo brasileiro tinha consciência política. Afinal, estavam reivindicando seus direitos. Dessa vez, quem esbravejava que o povo tinha tamanha conscientização de ser socialmente político era a famigerada classe política. Só que eram os do outro lado. Os acostumados a repassar suas cadeiras nas câmaras e casas governamentais a seus filhos. Os donatários de imensa lista de denuncias de corrupção sequer julgadas em outros tempos. Era a tal classe política a quem exatamente não interessava o povo brasileiro ter consciência política. E o que havia de errado nisso? E porque eu insisto comigo mesmo que eu estava certo no episódio anterior?

Quando militantes de esquerda (ou socialistas) dizem para não subestimarmos o povo porque ele (o povo) sabe da importância do seu papel na formação da sociedade, ao que eu chamo de consciência política, na verdade, estes guerreiros, sedentos por uma sociedade mais justa e igualitária, querem se convencer de que a suas lutas por conscientizar o povo não estavam sendo em vão.

Contudo, quando o gigante acordou, cutucado pela imprensa burguesa, rasgou bandeiras, xingou e agrediu manifestantes, quebrou patrimônio público, e gritou palavras de ordem contra o governo, contra o partido dos trabalhadores e contra qualquer um que parecesse favorável a este governo, tomar o controle das manifestações sem ferir o sentimento de liberdade do gigante sonolento foi uma sacada midiática genial, colocada em prática de supetão, e que parecia que vinha dando certo.

Dizer que o povo brasileiro tem consciência política e colocar esse povo a par de que sua consciência é valida, massageia o ego das multidões que foram as ruas lutar pelo que nem sabiam porque estavam lutando. E inflamava o povo a continuar estufando o peito, dizendo-se capaz de raciocinar, mesmo que desligasse a TV ou rasgasse a revista. Mesmo que se desconectasse do twitter e do facebook.

É a mesma coisa que fazem agora os poucos brasileiros que ainda conversam nos espaços de sociabilidade e de contato físico. É a mesma coisa que fazem agora as dezenas de milhões nesta nação que não conseguem dar um logout na Globo/Veja e nos perfis do Anonymous e dos Revoltados Online, frente à decisão de uma corte suprema que votou pela validade de uma peça jurídica, esquecendo que o que decide o STF, cabe como exemplo de jurisprudência para outras deliberações futuras, válidas também para as pessoas comuns. Esses brasileiros conscientes clamam por justiça, mesmo que se aja com injustiça contra aqueles a quem se tem aversão.

Como bem postou Flavio Menezes em seu perfil do facebook, citando partes do texto O DIA EM QUE CHICO BUARQUE VIROU GENI, em outras palavras (alteradas por mim, agora), falta uma força de vontade desse povo brasileiro consciente politicamente para parar e refletir, ainda que por apenas alguns minutos. A mesma força de vontade que eles dispensam para republicar, curtir e compartilhar as idéias de uma gente que eles nem têm idéia de quem são!