2 de jul de 2010

O ataque das empresas de comunicação não vai se restringir apenas a TV Digital

Depois de tensionar o Ministério das Comunicações em exterminar as pesquisas por um padrão totalmente brasileiro para a TV Digital, defenestrando anos de estudo e desenvolvimento de entidades nacionais, como as universidades federais, agora, a ABERT, Associação Brasileira de Rádio e Televisão, demonstra simpatia pelo sistema norte-americano de Rádio Digital.

Em 2005, o Brasil havia testado diversas tecnologias para TV Digital. Fez um apanhado dos recursos do padrão ATSC, dos Estados Unidos, que garante qualidade HDTV (alta definição), do sistema europeu DVB, que permite transmissão simultânea de, em média, quatro programas por canal, e do japonês ISDB, excelente para a recepção móvel.


Assim como algumas vantagens, se limitar a apenas uma dessas tecnologias levaria à diversas desvantagens. Pensando nisso, os testes brasileiros pretendiam criar uma TV que permitisse portabilidade, diversidade de programação em um mesmo canal e alta definição de som e imagem. Na época, dezenas de empecilhos foram colocados por emissoras de televisão e a representante delas, a ABERT, como o que previa que um sistema totalmente brasileiro tendia ao aumento de custos e, quem sabe, a inviabilidade para o consumidor final, uma vez que os equipamentos só poderiam ser utilizados no Brasil, caso não fosse adotado por outro país. Contrariando o que denunciavam, indicaram o ISDB japonês, com domínio de tecnologia total de uma única empresa e utilizado apenas no Japão. Questionou-se na época se essa manobra da ABERT não favoreceria a gigante Rede Globo, uma vez que seus equipamentos são totalmente adquiridos por essa empresa japonesa.


Agora, com a Rádio Digital, duas tecnologias, basicamente, estão em fase de testes no Brasil. Uma de propriedade da empresa norte-americana iBiquity, chamada de IBOC, ou HD Rádio, e DRM (Digital Radio Mondiale), desenvolvido por um consórsio de emissoras públicas da Europa, mas com patentes de empresas privadas, como a SONY. A primeira, é a preferida pela ABERT, e vem sendo imposta "guela-a-dentro" à sociedade. A segunda chegou a ser testada pela extinta Radiobrás, mas foi deixada de lado.


Arthur William e Bráulio Ribeiro, integrantes do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, listaram dez motivos pelos quais o Governo Federal não deve apressar a decisão por padrão A ou B de Rádio Digital, informando, nessa lista, que além dessas duas tecnologias, há outras em desenvolvimento em diversos países e que sequer foram testadas no Brasil. Eles citam que os dois padrões em analise por aqui são modelos prontos, sem a possibilidade de serem alterados para melhoramento de suas funcionalidades.


Alheio a tudo isso, e no frigir dos ovos para favorecimento de uma ou outra emissora, ou do conjunto de grandes empresas, as rádios comunitárias estão ficando de fora dos testes e, a contar pelo interesse dos empresários do setor, esse pode ser o dedinho que faltava para apertar o botão DELETE das comunitárias no país.


Acesse os motivos em Agênica de Notícias UFPB


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Artigo:
TV Analógica X TV Digital: e uma breve comparação

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