22 de abr. de 2010

19 de abril

Ontem, 21 de abril, foi feriado. Dia de Tiradentes. Mas, poucos lembram que pouco antes, dia 19, foi o dia do índio.

- Índios, povos que viviam em áreas geográficas esparsas do continente americano, antes das colonizações e que tiveram, no Brasil, seus números reduzidos aproximadamente cinco milhões de pessoas para mais ou menos 700 mil no ano 2000, segundo o IBGE, sendo 500 mil índios “legítimos”, 225 etnias e 180 línguas (FUNAI).

Mesmo com a importância tão grande que têm esses povos para a cultura de nosso país, pouco se ouviu falar ou se viu noticiar nas TVs brasileiras. Os índios contribuíram com nossa língua, com nossa higiene, com nossa cor de pele tão bela. Mas, mesmo com tantas evidencias dessas contribuições, não se dá a importância que eles merecem.

Agora, pergunto: por que o dia 19 de abril não é difundido como o dia das mães, dos namorados, natal, páscoa, etc.?

Agora, posso responder com uma outra pergunta: - será que é por que não existem produtos indígenas (ainda), expostos nas prateleiras das grandes redes de supermercados, nas vitrines das grandes lojas?

Tudo gira em torno do mercado, do consumo, do dinheiro. Reduzir a importância e a população dos índios faz bem para um grupo pequeno de “proprietários” de terra que coincidentemente tem ligações com o tripé do poder: justiça, imprensa e legislativo.

23 de mar. de 2010

Os donos do meio (republicação)

Não é de hoje que tentam me fazer acreditar que os mediadores, ou espectadores da mídia de massa e de grande impacto, como a televisiva, tem, por assim dizer, um certo poder no direcionamento do conteúdo dos programas veiculados nesses meios.

Talvez, minha leitura esteja completamente equivocada ao achar que, definitivamente, a mídia burguesa, sempre aliada a grupos políticos e a interesses particulares, possa se submeter aos interesses de a quem estes se destinam. Talvez, haja uma particularidade no nosso país e este atrelamento aos “caciques” do Brasil faça da televisão brasileira única, onde, como há muito se tem notícia, a alienação se dê de forma diferenciada, enaltecendo celebridades em troca de manutenção de concessões.

Aqui, o grande capital tem, e sempre terá, grande poder sobre a programação das TV’s, mas, ninguém pode negar, e isso é o que se dá de pior, que os coronéis ainda mandam, e desmandam, no conteúdo do maior formador de opinião: a televisão.

Então, como entender que os costumes regionais, os trabalhos independentes, a cultura local podem dar um sentido na formulação do que vai ao ar no Brasil? De certo a TV pode e faz uso da cultura popular, dando um enfoque bem ao seu estilo próprio, desconfigurando até certo ponto o tradicional, impondo um afastamento do real original para uma adaptação às necessidades de venda do mercado, mas morre por ai.


Os grandes programas formadores de opinião, como os telejornais, estarão sempre tentando moldar o imaginário das grandes massas. E se uma notícia vinculada num desses jornais, que por alguma eventualidade serve aos interesses políticos de um determinado grupo, não vingar, usa-se, exaustivamente, o recurso da repetição para transformar aquela verdade de uns em verdade de todos, como se tem visto, particularmente, de meados de 2005 até os dias de hoje.

Os costumes também são alvos dessa tentativa de modelagem. Um programa, como o Malhação, da TV Globo, por exemplo, ataca o comportamento dos jovens e dita o modo de ser de adolescentes e crianças e é justamente a partir dessa modelagem de costumes e comportamentos que vem a minha crítica aos que dizem que os mediadores influenciam diretamente nos meios. Como pode haver essa influência, se ela já aparece da forma como os meios impuseram, haveria ai, no máximo, uma troca de favores. E o beneficiado não é quem parece ser.

16 de mar. de 2010

NOVELA ou Déjà vu?

Entrei num curso de comunicação meio perdido, confesso. Vieram dezenas de disciplinas, na maioria das vezes, teóricas, e eu, cada vez mais perdido.


Como sempre gostei de escrever, certo semestre tive que matricular em Roteiro I, e, a partir daí, tomei gosto pelo curso. desde então, não paro de escrever, de idealizar dramas, documentários. Minha paixão é o docu-drama, que se constitui numa mescla dos dois gêneros citados.


Agora, o que isso tem a ver com o que eu quero falar nesse post? NOVELAS.


Toda novela, também conhecida como drama, dramaturgia, ou telenovela (por aparecer nas telinhas) tem o mesmo esqueleto de um documentário ou de um filme de longa ou de curta metragem. Em síntese, ela é seguida ou orientada por um ROTEIRO.


Vá lá que nenhum filme meu ainda é conhecido, mas, de tanto escrever, acredito ter discernimento o suficiente para fazer uma análise aprofundada, se é que isso é possível.


Então, sendo mais direto, vocês já observaram a qualidade das novelas? São ótimas, não é? Mas, quanto ao conteúdo?


Nesses dias me peguei pensando em como o conteúdo das telenovelas estão tão parecidos uns com os outros. Na verdade, o que diferencia mesmo são os nomes das personagens, alguns atores e, de vez em quando, o cenário, ou a cidade cenográfica, como costumam chamar os sets de gravação. O enredo é praticamente o mesmo.


Talvez os telespectadores (palavra difícil de se pronunciar) não tenha se dado conta do casal apaixonado que, sem mais nem pra quê, descobrem que são irmãos. Já viu alguma explosão? Algum personagem que desaparece e é dado como morto? Sem contar que toda a trama é feita em cima de um mocinho ou uma mocinha, pobre, apaixonada pelo sexo oposto, rico. Daí, para conflitar, vem uma terceira pessoa que fará de tudo para que os dois não fiquem juntos, ou por ganância, ou por questões familiares, e o casal apaixonado (mais um) se desfaz.


Vocês também não devem ter notado a presença dos estereotipados homossexuais e nordestinos (paraíbas), do falso exame de gravidez, dos vilãos que aprontam em toda a estória e são presos no aeroporto, da mala de dinheiro, do esoterismo ou poderes paranormais, do rico que se passa por pobre, e de tantos outros pontos que se repetem sucessivamente, seja nas chamadas “novelas das seis”, na “das sete”, ou na “das oito”.


Comecei a rabiscar alguns desses ingredientes necessários à cada peça dramatúrgica dessas e, quando achava que já tinha finalizado o repertório, me deparo com uma cena de acidente automobilístico. Todos preocupados em achar o corpo da tal vitima fatal, ai ela aparece, em algum lugar distante de tudo, sem memória.


Talvez o título do gênero NOVELA devesse ser alterado, pelo menos momentaneamente, para Déjà vu.

11 de mar. de 2010

Promotor galã volta as telinhas brasileiras

O Promotor de justiça José Carlos Blat volta às telinhas brasileiras, porém, como em toda novela nacional, sem nenhum enredo novo, apenas o mesmo discurso de sempre: Denúncias de desvio de dinheiro para campanha eleitoral do PT.

O boa pinta já foi acusado de ser pau-mandado do PSDB, foi afastado do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo, processou a VEJA por calunia por causa de uma matéria intitulada "Intocável sob suspeita" e hoje é fonte fidedigna da revista e da Rede Globo.

Talvez, alguns de meus amigos venham a dizer que, escrevendo isto, só estou fazendo defesa de Governo "A" ou "B", mas, certamente eu responderia com uma pergunta: Porque diabos o tal promotor, que tem consigo a certeza (e provas?) de irregularidades com a BANCOOP e que esta estaria servindo um suposto "Caixa 2" do Partido dos Trabalhadores, desviando cerca de R$ 100 milhões para as candidaturas de Lula, só apresentará denúncia daqui a três meses? Será que é por que fica mais próximo das eleições?

Fiquemos atento ao que diz a VEJA e ao que mostra a GLOBO. Não é de hoje que essa novela reprisa.

9 de mar. de 2010

Zona Azul

As vezes me vejo impressionado com a forma como o Legislativo atua para abonar as falhas do executivo em certos casos.

Hoje mesmo, por exemplo, houve uma sessão onde a vereadora Eliza Virgínia, do PPS, propunha uma discussão em torno da criação de uma lei que normatizasse uma prática (ilegal), costumeira, segundo ela, nas vagas da conhecida Zona Azul, na cidade.

Para justificar a necessidade do seu PL, a vereadora citou casos em que motoristas deixaram pagos dois bilhetes azuis, para os casos em que tivessem que exceder as duas horas a que um único bilhete lhe dava direito.

Como contra-ponto, os vereadores Tavinho Santos, PTB, e Sandra Marrocos, PSB, falaram do motivo pelo qual a Zona Azul foi instituída em João Pessoa: a rotatividade das vagas públicas e, com isso, a democratização dessas vagas que antes eram “privatizadas” por lojistas e comerciantes em geral. Para os dois vereadores, uma lei que permita que um usuário pague pelo tempo que lhe convier, derruba o sentido de ser da Zona Azul pessoense.


Rebatendo essas falas, a vereadora Eliza voltou a argumentar em favor da normatização dessa prática, apresentando provas de que ela já existe, que já se transformou em costume e que não é praticamente inviável, para a Superintendência de Transporte e Transito (STTrans) de João Pessoa, a fiscalização de cada um dos veículos estacionados na área de cobertura da Zona Azul.

Zona Azul

Foi criado em 1997 para garantir a rotatividade nas vagas do centro da capital paraibana, uma vez que estas vagas estavam sendo “privatizadas” pelos comerciantes, que colocavam correntes e todo tipo de equipamentos para garantir essas vagas aos seus clientes e/ou funcionários. Além disso, os espaços onde ainda era possível estacionar, geralmente eram ocupados por veículos que, na maioria das vezes, passavam o dia inteiro parados, impedindo que outros carros pudessem usá-los.

Os usuários dessa área reservada podem utilizar gratuitamente, a vaga, por dez minutos, desde que acionem o pisca-alerta. Após este tempo, um funcionário da empresa que administra a Zona Azul troca o bilhete para o normal, que passa a valer por até duas horas e custa R$ 1,30. Passada essas duas horas, os fiscais da Zona Azul devem acionar a STTrans-JP que, por sua vez, deve multar o veículo, como forma de garantir que o prazo seja cumprido.

O fato

O tal costume do qual a vereadora do PPS fala, para justificar as mudanças no período de permanência, devem, ou pelo menos deveriam, ser fiscalizada pela STTrans, órgão ligado ao Poder Executivo municipal.

Como essa fiscalização é insuficiente (ou inexistente), vários motoristas passaram a adquirir dois bilhetes, ou voltar para pagar as próximas duas horas de estacionamento.

Dessa forma, três discussões deveriam tomar corpo em torno da proposta de criação dessa lei: a primeira é cobrar da administradora da Zona Azul que faça prevalecer a rotatividade, coibindo a vendam dois bilhetes por único automóvel e orientando seus funcionários que eles mesmos fiscalizem os tempos de permanência de cada veículo, já que ele (o funcionário) tem uma área delimitada de atuação; como alternativa, a discussão pode ser feita em torno de uma lei, e pode até ser a mesma proposta por Eliza Virgínia, para que se construa uma outra indicação para a forma de aplicação desse período de permanência, para que não se volte a privatizar as vagas de Zona Azul; e, por fim, se faz necessário verificar se a função do Executivo de fiscalizar a aplicação das determinações para essa área de estacionamento coletivo e rotativo, está sendo exercida.

No mais, vale lembrar que, em se tratando de Zona Azul, não seria recomendado utilizar os termos “democrático” e “espaço público”, uma vez que nem todos têm acesso ao estacionamento (não democrático) e os que conseguem sua vaga, pagam por ela (espaço privado), além do fato de, é claro, ela ser controlada por uma empresa (privada).

2 de mar. de 2010

Promessa devida

Havia prometido, quando da alteração do nome desse blog de CinemaTVR para Cidadão Silva, que iria priorizar os textos curtos, uma vez que sei que dificilmente se lê aqueles mais longos. Eu sou um dos “dito cujos”.

Mas, é que passei tanto tempo sem postar com certa freqüência que o dedo coçou, bateu inspiração, ai eu sai escrevendo, escrevendo. Sem contar que os temas abordados também dão muito pano pra manga, ai já viu.


Pois bem. Não posso prometer que vou cumprir minha promessa, mas ficarei mais alerta aos textos com mais de quinze parágrafos. Ops!! Disse quinze? Brincadeira.

Então, vamos lá, mãos à obra que tem muita coisa para se comentar, inclusive os meus textos. Noto que muitos acessos são realizados por dia, em média cem, mas poucos são os comentários. Vai lá. Deixa pelo menos um “ficou massa!”, ou um “não gostei disso!”. É bom, alimenta o ego e eu fico sabendo quem passou por aqui!!! :D

Além disso, dá uma olhada aqui, do lado direito, tem um mural pra você deixar o seu recado, tem mais textos, artigos inteiros, e vários filmes indicados por mim e por outras pessoas.

No mais, é só isso.

Até a próxima postagem e, não esqueçam, COMENTEM!

22 de fev. de 2010

Eu tenho medo!

Oito anos depois de Regina Duarte tentar apavorar os brasileiros durante a campanha eleitoral para presidente em 2002, que naquele momento já rejeitavam o FHC e o governo do PSDB, criando mitos sobre o que Lula poderia fazer com o país como acabar com a estabilidade e o controle de inflação, chegou a nossa vez de alertar as pessoas para o medo que temos do país voltar às mãos de quem o levou ao fundo do poço quando teve a oportunidade de governá-lo, e diferente de 2002, hoje temos medo porque temos uma experiência real com eles no poder para fazer nossas avaliações e não apenas especulações, como Regina fez:

Eu tenho medo da desativação gradativa dos programas sociais;
Eu tenho medo do sucateamento das estatais com a intenção de privatizá-las;
Eu tenho medo da falta de planejamento que já levou o país a um apagão energético.
Eu tenho medo das políticas econômicas equivocadas que fizeram o país quebrar tres vezes;
Eu tenho medo da concentração ainda maior dos meios de comunicação;
Eu tenho medo da ascenção ao poder da direita reacionária que está por trás do PSDB;
Eu tenho medo de gente que reescreve a história tentando igualar torturadores assassinos e vítimas;
Eu tenho medo da volta da política de desvalorização do funcionário público;
Eu tenho medo de voltar a ser governado pelos Daniel Dantas da vida;
Eu tenho medo da falta de incentivo que fez quebrar setores produtivos do país;
Eu tenho medo da volta do neoliberalismo que concentra renda e aumenta a pobreza;
Eu tenho medo do retrocesso nos avanços do Prouni e cotas raciais;
Eu tenho medo de voltarem a tratar os sem-terra como em Eldorado de Carajás;
Eu tenho medo de entregar a chave do cofre para aliados do Arruda, da Yeda, do Richa…;
Eu tenho medo da Polícia Federal voltar a ficar amarrada sem combater colarinho branco;
Eu tenho medo do país voltar a ser coadjuvante no cenário internacional;
Eu tenho medo de ser governado com quem não dialoga com setores da sociedade;
Eu tenho medo de quem manda a polícia bater em manifestante e estudante;
Eu tenho medo da volta dos salários de fome e da escassez de empregos;
Eu tenho medo do retorno dos incompetentes protegidos pela mídia chapa branca;
Eu tenho medo de voltar a ter um presidente que governa para os ricos e não fala a língua dos mais necessitados

Autora: Angela Maria Fernandes
Fonte:
Mobilização BR

19 de fev. de 2010

10 por dia


Mais uma contra os estudantes na capital paraibana.


Na verdade, essa é antiga, eu é que sou desinformado e só descobri hoje, e da pior maneira possível.


Não bastasse terem surrupiado nosso direito de estudante (Direito! Não é favor, não!) de pagamento de meias-passagens nos ônibus municipais, transferindo a identificação da carteirinha estudantil propriamente dita, para o cartão de passe, com foto, inibindo sua possível utilização por outro estudante, já que mesmo apresentando a carteira (que nos daria, outrora, o direito ao desconto de 50%), o cobrador é orientado a não permitir a nossa passagem, mesmo depois disso, descobri, de uma forma um tanto quanto constrangedora, que só tenho direito a 10 (dez) passagens por dia.


Lá estava eu, perto das 22h30, num local esquisito, esperando o “busão”. Ele passa, eu o apanho e, na hora da carteirada, a maquineta, cheia de seus mistérios, me impede de passar. Tentei várias vezes até que o cobrador, muito educadamente, me informou que minha cota de dez passagens havia sido ultrapassada.


- Ah! E agora, seu prefeito? O que faço numa hora dessas? Nem posso contar as moedinhas, por que não as tenho aqui, comigo. Então? Como faço pra chegar em casa? Vou à pé?


Essas perguntas tive vontade de fazer, mas como? O homem certamente estaria dormindo àquela altura!


Bem! Mesmo não tendo como fazê-las, fiquei indignado. Outras vezes também fui impedido de passar pela roleta. Tive a infelicidade de pegar o mesmo ônibus e, também ai, o bilhete não me permitiu passar. Vejam! Não posso pegar o mesmo ônibus duas vezes até que ele vá ao terminal e “zere” o contador. Dessa eu já sabia. Eu até imaginei que não pudesse. Se eu não posso emprestar meu cartão a outro estudante, certamente ele seria bloqueado para passar duas ou mais vezes na mesma catraca e na mesma hora.


Mas, voltando ao episódio desta noite, por sorte, um senhor, que pegou o mesmo ônibus que eu, passou o seu cartão de vale (Vale Legal). Eles, o senhor e o seu cartão, foram os salvadores da noite e devo à eles o fato de o constrangimento nem ter sido tão grande. Pelo menos com o Vale Legal tudo pode.


Do jeito que está o estudante terá que se limitar a ir e voltar da escola ou universidade para casa. Sendo assim, não poderá se dar ao luxo de cursar em dois expedientes distintos, trabalhar ou estagiar, se para cada uma locomoção tiver que pegar ônibus, integrar, se os destinos forem muito distantes.


Agora, ter se aliado ao ex-governador e ao senador os quais tanto combatia e aos empresários do transporte público que tanto denunciou, não necessariamente passa por retirar direitos dos estudantes, né?

12 de fev. de 2010

"KIT DO BRASILEIRO"‏

Acabo de receber um e-mail, tipo aquelas correntes, de um amigo. Só que não era exatamente uma corrente de pedidos milagrosos, religiosos. Era algo fantasioso. Trazia algumas imagens alusivas ao governo do presidente Lula, imagens de algumas ações desse governo.

Se me perguntarem o que eu acho de cada um, vou logo dizendo que, na época mais atuante da minha militância política era completamente contra, mesmo assim algumas verdades têm que ser ditas. Então, veja bem, coloco aqui o e-mail recebido, com as figuras e suas respectivas legendas, provavelmente feitas por um fanático tucano, possivelmente de memória fraca, uma vez que grande parte dessas medidas foi criada no governo FHC, e mais embaixo faço algumas observações sobre o assunto. Seguem:


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e-mail (retirei o remetente):

De:Offline Xxxx Xxxxxx (XXXX@hotmail.com)
Enviada:sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010 1:38:14

Anexos: 8 anexos Baixar todos os anexos (107,8 KB)
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KIT DO BRASILEIRO

*Vai transar?*
O governo dá camisinha.


*Já transou?*
O governo dá a pílula do dia seguinte.


*Teve filho?*
O governo dá o Bolsa Família..


*Tá desempregado?*
O governo dá Bolsa Desemprego.


*Vai prestar vestibular?*
O governo dá o Bolsa Cota.


*Não tem terra?*
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.


*Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!*



"Trabalhe duro, pois milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você"


Se vc é brasileiro passe adiante.
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De pronto só me veio em mente responder da seguinte forma, tendo o cuidado de re-enviar a todos os destinatários que haviam recebido o e-mail juntamente comigo:


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De:Ocupado George Martins (ghemartins@hotmail.com)
Enviada:sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010 4:16:31

se você leu as piadas até o final deve realmente está indignado com tanta bolsa e tanta cota. Agora, que ver a coisa "fudê" de vez? Eleja um tucano aliado de um democrata. Ele vai fechar dezenas de maternidades, ai ninguém tem filhos. Vai privatizar as "Vale do Rio Doce", as "Embratel" (ainda resta a Petrobrás), vai estimular a demissão voluntária nos bancos estatais, vai forçar os Estados a manter a lei de responsabilidade fiscal, diminuindo os salários dos funcionários publicos e extinguindo os concursos. Ah, ele vai também sucatear as universidades federais, até convencer você de que o melhor é vendê-la, ai irão surgir milhões de faculdades de fundo de quintal pra compensar a procura pelo ensino superior. Como se nao bastasse, vai engavetar todas as ações contra os seus aliados e vai acelerar a votação da lei que garante um terceiro mandato.
Ai, depois de 12 anos, certamente, a classe média, chateada com as perdas, vai eleger outro governante comprometido com as causas sociais, e todas essas políticas, transformadas em piada, terão que ser colocadas em prática novamente pra compensar o massacre de mais de uma década. Até organizar tudo, o Brasil ganhar respeito novamente lá fora e, quem sabe, a população não precisar mais do Governo pra se manter.


É isso!
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Embora tenha respondido às pressas, indignado com a capacidade que as pessoas têm em receber esse tipo de informação e não processá-la, remetendo-a à sua lista de contatos, gerando assim as famosas correntes, decidi que apenas as palavras que escrevi como resposta seria postado neste espaço.


Mas, esqueci de um detalhe. Um termo usado nas legendas me chamou bastante atenção: “Bolsa Invasão”. Esse termo é geralmente usado pela mídia (burguesa) para tirar o foco da questão propriamente dita, contextualizada ali na luta pela terra. Invasão, se você escrever no Microsoft Office Word 2003, clicar com o botão direito do mouse e ir até “Sinônimos” vai ter uma visualização rápida do que ela realmente significa, e ai me vejo a vontade agora para perguntar se “colonização” é realmente feita por trabalhadores ou, de fato, quem são os invasores!


Bastam alguns minutos de reflexão para que não caiamos em contradição com nosso próprio povo e saiamos defendendo grupos fechados de exploradores, latifundiários e, se me permitem o desabafo, filhos da outra!

5 de fev. de 2010

A decepção do século

De repente estou no meio de uma confraternização, numa daquelas animações de domingo, sem compromisso. E eis que começam a falar de política. Podia dizer que até bem pouco tempo era minha praia. Adoro fazer e ouvir comentários acerca dos partidos políticos, projetos, futuro, eleições e, de repente, me vejo bombardeado por questionamentos que jamais pensei em responder. De todos, o mais sutil foi: “será que ainda dá pra acreditar nesses que tu indica?”

Obviamente que quando se fala sobre política, as alianças que os personagens fazem também entram na roda. Ai não precisa ser nenhum gênio da lâmpada pra se saber de quem falavam.

Honestamente? Ele era para ser o homem do século, em nível municipal e, talvez até, estadual. Mas, preferiu trocar suas convicções pelo alcance do seu projeto pessoal.

Lembro das manifestações que nós, estudantes, fazíamos, contra aumentos de passagens, direito à meia-entrada e meia-passagem em viagens intermunicipais. E ele lá. Podíamos contar com ele dentro da Assembléia.

E a reeleição de 2002? Até partidos como o PCR e a Juventude Rebelião participaram ativamente do processo. Fui taxado de outdoor ambulante. E as pessoas que acreditavam em mim? E as que acreditavam nas que acreditavam em mim? O que elas pensam hoje?

Outro dia, uma personalidade do mundo político disse que havia emprestado sua confiança ao seu candidato, que não tinha emprestado dinheiro. E, justamente por não ter sido dinheiro que foi empenhado, a tal personalidade se sentia triste, traído. E talvez seja isso mesmo que centenas de pessoas como eu, que pediram votos, muitas vezes tendo que argumentar por horas, para arrancar um único voto, que mais tarde se converteria em dois, cinco, sintam, uma profunda tristeza.

A estudantada recuou quando este homem foi eleito prefeito, acreditou que com ele as coisas seriam diferentes. E foram! Mas, foram diferentes do que esperávamos. O prefeito se aliou aos empresários do setor de transporte público, implementou a bilhetagem eletrônica sem uma ampla discussão, retirando, inclusive, o foco da identificação estudantil da carteirinha propriamente dita para o cartão de passe, com foto, e deu sucessivos aumentos de passagens. Mas, mesmo assim, ele ainda era o homem que podia mudar o jeito de se fazer política no Estado.

A falta de aumento para os funcionários municipais, o aperto nas escalas de trabalho, a falta de compromisso com a cultura e os jovens, deixando até o crack se infiltrar na cidade como uma peste, não foram suficientes para se deixar de acreditar nele. Até os boatos começarem a circular. Mas eram só boatos.

Até quando? Até o homem que se projetou na política pelo carisma e, principalmente, pelas pessoas que deram suas caras a bater, brigando por cada espaço no bairro, na rua, para discutir, chamar pra luta, e convencer de que ele era “o cara!”, resolver se aliar a, justamente, aqueles que considerou o oposto de tudo o que ele acreditava e que, contra quem, junto com toda a militância, por anos, combateu. Então, talvez essa tenha sido a gota d’água para muitos. Ora, se até pouco tempo os atuais aliados eram a pior estirpe do mundo político, o que fazem juntos agora? Ou ele estava errado, e conseqüentemente todos nós, ou, para almejar o que quer, ele é capaz de tudo, até vender a própria alma ao Diabo.

Mas, foi assim, trabalhando sua projeção pessoal que ele passou um trator em cima de todas essas pessoas, abalou as consciências de todos eles, fez com que, junto com sua credibilidade, os seus seguidores, desde a época do PT, também perdessem as suas.

O que se empenhou foi a confiança e o troco foi a traição.

Judas, o traidor de Cristo, se enforcou! Na política também existem formas de enforcamento.