15 de jun. de 2015

Vivi, mas não quero que vivam!

No último domingo, 14, tive a felicidade de ser convidado para um evento promovido pela Sólida Imóveis, no Clube dos Médicos, onde a grande atração do dia era a cantora paraibana Elba Ramalho. De cara aceitei o convite feito por um corretor da imobiliária.

Foto retirada de:

http://acontecesantyago.blogspot.com.br
A coisa tava boa. Um trio pé-de-serra pra animar o evento, um buffet caprichado e, de repente, lá pelas quatro da tarde, ela sobe ao palco. Ai, meu amigo, o negócio esquentou.

Estávamos em grupo de quatro pessoas. E curtimos bastante. Até que, num determinado momento, Elba começa a agradecer a presença de todos e o convite para estar ali e, como que lendo um script do teleprompt do JN, começa a vomitar coisas que lhe angustiavam.

De repente me vi em meio a um editorial de jornal (ou revista), cujos diretores deveriam ser William Bonner e Marco Feliciano, com textos transcritos de falas do Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo, com comentários de Jair Bolsonaro. E o excreto vomitado tinha de tudo: do contra-aborto (pela vida) até um feroz ataque à investida de minorias GLBTs, quando da conquista de alguns direitos (que nem conquistaram ainda).

Elba, católica, devota de Nossa Senhora, como insiste em dizer a cada show, também não poupou ofensas ao governo (num disse que tinha dedo do JN aí?). Como quem ouviu falar e interpretou do jeito que Arnaldo Jabor mandou interpretar, criticou o governo federal pela tentativa de atacar o modelo de família que ela, e milhões de fanáticos religiosos fundamentalistas, acredita ser o único concebido por Deus, que até hoje (pensamento meu) prova não ser o ideal. Tanto não é que ela própria já fez e desfez duas famílias, sem querer entrar no mérito de rebaixar a sua imagem, mas necessitando colocar isso para mostrar que ninguém tem o direito de julgar a vida alheia, por mais fundamentalista que seja a sua religião (e não a bíblia – já leu?).

Com o clamor de parte do público, aplausos e gritos de ‘é isso ai!!”, a cantora encontrava eco para suas palavras de ódio camufladas numa carinha de preocupação com um futuro cada vez pior.

Como disse, atacou o direito ao aborto e incitou o medo nos pais por uma proposta do governo de dar direito a, segundo ela, criancinhas de 5 anos mudarem de sexo, se assim desejarem.

Nesse último ponto, talvez Elba se referisse ao projeto de lei dos deputados Jean Willys e Debora Kokay, que, no art. 5º, prevê que, em casos de menores de idade que queiram realizar mudança de identidade de gênero (motivo da PL), com consentimento e por requerimento de responsáveis legais, isso possa ser realizado. Obviamente, a mídia e seus alto-falantes personificados (atores, cantores, jogadores e outros ores) deturparam a proposta, inflamando que o governo (e nem foi o governo, foram dois deputados) quer mudar o sexo de criancinhas indefesas. Veja só! Não sei se foi isso que ela quis dizer, mas foi exatamente isso que eu entendi. E foi isso que, recentemente, apareceu na minha linha do tempo nas redes sociais. Elba chegou a comentar que pela lei, se um filho quiser brincar de boneca, os pais não poderão proibir. Mostrou muita preocupação quando disse que o Brasil estaria virando uma Cuba. Arriégua!!!

Elba Ramalho nasceu num Estado pobre. Se deslocou para o sudeste do país na busca de sua realização pessoal. Enquanto mulher, foi baterista, fez aborto (embora diga que se arrependa disso), subiu aos palcos e fez parte de grupos feministas num período de descriminalização ferrenha contra o seu sexo. E alcançou o seu espaço. Tinha tudo para abraçar a causa das minorias, justamente por ter sentido na pele (ou não) as dificuldades e preconceitos de grupos criminalizados pela mídia de massa e pela própria massa. Mas, talvez por uma questão de sobrevivência midiática, optou por estar do outro lado. Do lado dos opressores.

Assim, Elba Ramalho, que canta em carnavais, que encanta nossa cultura e nossos regionalismo, que fez aborto na década de 1970, que casou, separou, casou de novo, que se fez renomada no meio artístico tão cheio de criancinhas crescidas que não puderam fazer opção pela mudança de registro de identidade de gênero, que conhece casas de famílias não-tradicionais onde o amor e a solidez são tão mais forte quanto, por exemplo, nas duas famílias que ela construiu, que posou pra revista masculina, que tatuou o corpo, por ter vivenciado isso tudo, prefere negar que outros tenham o mesmo direito à vida que ela teve. E que, diga-se de passagem, foi uma vida muito bem vivida.

23 de abr. de 2015

Neo-consciente-politicamente

Desde as eleições por volta de 2010 (começaram beeeem antes disso), quando tentava argumentar contra uma multidão de fanáticos do Imperador da Paraíba sobre a sua relação de promiscuidade na política, e que tantas adesões, alianças, descaminhos comprometiam o futuro da nossa província, e percebendo que, por mais que provasse cientificamente que minhas conclusões estavam (talvez) corretas, e era atropelado por essa imensidão de idólatras, eu desgostei de escrever para este blog.

Na verdade, a ideia inicial deste espaço era expor algumas mazelas dos serviços públicos, como a deficiência e ineficiência no trato com aias pessoas, dispensado na Unidade de Saúde do bairro do 13 de Maio (capital). Mas, minhas bases de pensamento me fizeram enveredar por discutir política. Resultado? Cansei!

Mas, bem. O que me cansou não foi o fato de ter escrito e ninguém ter lido. Muito pelo contrário. Até leem bastante. Mais do que eu esperava. Mas, o que de verdade me cansou foi falar, colocar minhas posições (eu tenho lado, tomo partido) e ser rechaçado por novos pensadores, sobretudo por uma incomensurável variedade de filósofos de botequim, a quem eu sinceramente prefiro chamar de neo-consicentes-politicamente. Aqueles mesmos que acordaram o Gigante em junho de 2013, depois lhe deram doses cavalares de algum “tarja preta"

Esses camaradas, mesmo reproduzindo VEJA e JN, mesmo citando frases de Sheherazades, ou mesmo comprando camisas de ANTIPETÊ e de FORADILMA, defensores de um Estado sem corrupção (logo após uma manifestação contra ela, no caminho pra casa, estacionam carros na contramão e embaixo de placas de proibição, só por 5 minutinhos, pra fazer aquele lanche esperto), chatos por natureza, insistem em dizer que são independentes, não têm bandeira (obvio que não têm – é ridículo, pra um médico, engenheiro, ou qualquer outro dôtor carregar uma, mesmo que ideológica). Eles juram que pensam por si sós. E até acredito. Pois conseguem evoluir a cada dia. Criam grupos financiados por banqueiros, petroleiros e psdebêiros, vão às ruas e até propõem marcha de São Paulo à Brasília (dessa eu fazia questão de participar, pra ver quem arregava primeiro).

E não pararam por ai. Enchem nossos murais (do Orkut) e nossas timelines (no facebook), e até criam correntes de whatsapp com tudo aquilo que mais se repudia na sociedade da moral e dos bons costumes (que eles defendem com unhas e dentes): a calunia, a difamação, o terrorismo midiático, a disseminação do ódio e uma certa inveja (não sei de que).

Nunca antes na história recente deste país as pessoas tiveram tanto acesso à informação (ruim e de qualidade). E nunca antes na história recente da humanidade, pessoas que tiveram acesso à informação negaram o direito de procura-la. E isso, isso sim é que cansa!

6 de jan. de 2015

Deus está completando sua coleção com os melhores

Há dois dias se encerrou, aqui na Terra, a trajetória de vida de Dona Severina.
Guerreira, se dividiu, durante anos, entre a saudade do esposo, Seu Severino, dos irmãos, os quais criou como filhos, de parentes e amigos e a necessidade de estar com seus seis filhos.
A dor era grande. Tanta que seus lapsos de memória, cada vez mais constantes, muito provavelmente lhe ajudaram a suportar todo esse tempo. O carinho dos netos, dos amigos que se tornaram filhos, sobrinhos e irmãos, fazia valer a pena a sua luta para continuar nessa vida.
Do seu sofrimento da saudade de tantos que se foram, ninguém sabe o tamanho. Mas o amor que irradiava, embora tenhamos uma ligeira noção, cálculo matemático nenhum concluirá a sua magnitude.
Pros que ficaram, além da dor da certeza de que nunca mais poderão beijar-lhe a testa, pedir-lhe a benção e ver aquele sorriso contagiante, fica também a certeza de que ela, agora, repousa ao lado dos seus e que Ele, o Senhor de todas as criaturas, está contemplando a sua seleção de melhores seres humanos, ali, bem ao Seu lado.

Descanse em paz, D. Severina. Olhe por todos, que já já nos encontraremos!

18 de ago. de 2014

O amor de Cristo nos uniu?


Não consigo entender o motivo de tanto ódio.

O cidadão em questão, o da postagem na foto ao lado, é um pastor. Pastor de igreja evangélica. Mas essa espuma na boca, que escorre livre quando pensam em Lula, em Dilma, ou em qualquer membro do Governo do PT, não se restringe a apenas os evangélicos.

Muitos amiguinhos, dotados de dons do espirito santo, da tal RCC - Renovação Carismática Católica, e de outras 'facções' católicas, também exibem, em adesivos de carro, camisas, muros de casas, 'santinhos' apócrifos e, agora, nos 'posts' do facebook, instagram, twitter e correntes no whatsapp, seu ódio eterno, aprendido nas entrelinhas da bíblia cuja qual ainda não tive acesso, .

No geral, esses adeptos da repulsa alheia são pessoas de vida boa, classe média, branquinhos, bonitinhos, cujos filhos estuda(ra)m em universidades federais, alguns até passaram para cursos mais concorridos a partir do sistema de cotas, já que, no ensino médio, estudaram com bolsas ou vieram de escolas, também, federais. São pessoas que recorrem ao BNDES quando suas empresas estão em crise, e, depois, simplesmente esquecem de suas dívidas, ou pedem perdão delas. Ou são homens e mulheres adultos, e até mesmo jovens, funcionários públicos, que, depois de conseguirem o 'seu lugar ao sol', temem ter o esse seu lugar ameaçado por outros que, por ventura, possam ingressar nos seus setores.

Não consigo compreender tanta malquerença, principalmente quando do lado das palavras de apatia está uma mensagem de amor ao próximo. O amor pregado por um Deus que é as vezes conveniente, as vezes impertinente.

14 de jul. de 2014

Carta de um Zé à Ninguém

Sou um rapaz pobre. Já fui mais. Nasci pobre, filho de mãe solteira e desempregada. Não sou ninguém muito importante. Sou apenas mais um brasileiro como milhões que surgiram como fruto do que foi o Brasil desde a sua invasão pelos europeus, e que se agravou profundamente durante o período da Ditadura Militar.

Cresci vendo minha mãe pular de emprego em emprego. Ficar devendo o aluguel da casa e de sempre ter que escolher entre pagar a dívida da mercearia do mês passado ou quitar uma das contas de água ou de luz para que não cortassem.

Me revoltei contra esse sistema que teimava em me dizer que, a mim, só restava continuar pobre, analfabeto e virar ladrão de galinha ou, com muita sorte, conseguir um emprego de cortador de grama em algum condomínio de luxo e ajudar nas despesas de casa. Me revoltei e lutei contra isso.

Lutei com as armas que tinha. Estudei. E eram horas dentro de casa, lendo, resolvendo problemas da escola, lendo novamente, enquanto ouvia os gritos dos meus amigos na rua, jogando bola, gastando as energias com coisas que toda criança gosta de fazer, e deve fazer. Mas eu? Eu saia pra brincar, mas só depois de me certificar de que tinha absorvido o que havia planejado para aquele dia.

Cresci. Virei adolescente. Continuei vendo meus amigos um pouco mais abastardos continuarem jogando, fazendo parte dos times da escola, viajando, e eu, estudando.

Dai, lembro que, passada a ressaca do Brasil arruinado pelo Governo Militar, veio a primeira eleição de um governo democrático. A conjuntura mundial já me chamava à atenção. A Rússia era socialista e os filmes que passavam na Globo (única emissora de TV que dava pra assistir com uma antena qualquer) me diziam que aquilo era ruim. Era o satanás querendo dominar o mundo. E era fácil absorver aquilo. Não existia internet. Se existisse, eu jamais teria acesso a ela, pois não tinha como comprar um computador.

Depois de ver aqueles filmes tipo 007, me debruçava nos livros de história que me contavam apenas a história que interessava aos dominantes.

Nesse meio tempo, eu vi o presidente eleito por vias democráticas ser destituído do seu cargo, também por vias democráticas. E vi também o segundo presidente eleito por essas tais vias democráticas dilapidar, em apenas sete anos, todo um patrimônio de uma nação que levou séculos para ser construído. Mesmo assim, continuei estudando. E gostava. Mas o sistema sempre foi cruel comigo. Na 5ª série foi contemplado com uma bolsa de estudos de uma escola que era referencia na região e, no ano seguinte, o presidente da República decidiu que o governo não deveria mais subsidiar estas bolsas. Fiz o que pude. Recebi ajuda de familiares e continuei estudando. Fui até o 3º ano com muita garra. Trabalhei como menor aprendiz em troca de meio salário mínimo, algo em torno de R$ 60,00. Consegui entrar num curso superior. Na época, como não existiam muitas vagas nas universidades federais, me restou, então, uma universidade privada.

Frequentei o curso ainda por dois anos e, depois de ter tentado o exercito, ter sido aprovado em todas as etapas do núcleo de formação de oficiais, algo que poderia me dar uma perspectiva melhor para concluir o curso, novamente, o presidente me passou a perna. Mandou fechar vários cursos de formação de oficiais da época, com a desculpa de ter que diminuir os gastos da Nação. Não conseguindo FIES e não havendo um PROUNI, tive que dar adeus aos meus colegas da graduação. Nesse tempo, os níveis de corrupção no país eram altíssimos, mas ninguém ficava sabendo porque denuncias e processos eram engavetados, e como os governantes dominavam também a mídia, nada era questionado ou divulgado. As empresas estatais, vendidas para diminuir a dívida externa, sequer supriram os juros dela. E eu me vi cada vez mais pobre, junto com o pais.

Tudo estava acabando. A classe média estava acabando. E então, eis que ela resolve aderir a um projeto diferente de governo. Em 2002, pela primeira vez, um presidente advindo das classes mais baixas da sociedade, um semianalfabeto, vândalo e nordestino, foi eleito presidente.

Demorou, mas, aos poucos, tudo foi mudando. As bolsas-auxílios, que já existiam, foram criticadas, mas mantidas, e ajudaram e ajudam nas despesas de milhões de famílias que, em troca, precisam apenas manter os filhos nas escolas, com boas frequência e notas. As vagas nas universidades federais aumentaram consideravelmente, e chegaram, inclusive, a regiões onde jamais se pensou em, sequer, se ter uma escola técnica. PROUNI, REUNI, bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado...

A política dos dois governos anteriores continua com o governo atual e é ele quem subsidia a compra de imóveis, veículos e eletrodomésticos. Diminuiu as taxas de juros. Fez caixa para pagar a divida externa e hoje financia outros países. Melhorou alguns portos, vários aeroportos. Inclusive, hoje é possível viajar de avião. Hoje é possível viajar! O Brasil fez uma Copa e vai fazer uma edição de Olimpíadas. Investiu em segurança, em cultura, na valorização do serviço e do servidor público com aquisição de equipamentos e melhoria das estruturas, e com a contratação em massa de novos funcionários através de concursos. Aliviou a folha dos Estados e Municípios para que estes também se reestruturassem e contratassem mais.

Ainda assim, algumas dezenas de milhares de brasileiros por ideologia política, ou por pura alienação, pregam na cruz a líder de uma nação por problemas que não são de competência dela e que se formaram desde o período da colonização. Gritam freneticamente contra a corrupção, mas não conseguem perceber a quem estão servindo com esse grito desesperado. E a lógica não se completa.

Por isso, mesmo reconhecendo que os avanços foram muitos, mas não o suficiente, é de extrema importância para mim, e para pessoas com um histórico parecido com o meu, lutar para que os falso profetas do apocalipse, aliados dos grandes centros de mídia nacional, de igrejas (católicas ou protestantes), de ruralistas e banqueiros, não retomem o governo que tanto lhes faz falta. Porque se é verdade que a história se repete, eu não quero passar novamente pelo que já passei.


Ah! E quanto à Rússia e o socialismo? Eu acho que o povo brasileiro prefere o capitalismo mesmo. Infelizmente.

7 de jul. de 2014

Greve dos motoristas e cobradores em João Pessoa: aumenta o valor da passagem que "eles volta", prefeito!

O título é uma brincadeira. rsrsrsrs. Vamos, riam. É uma piada!

Ops!!!

Não! Não é uma piada!

Na ótica de dona Vilma Borges, a greve iniciada nessa manhã de segunda-feira, é uma manobra política, possivelmente capitaneada pela AETC-JP (Associação das Empresas de Transporte Coletivo de João Pessoa) para forçar o aumento das passagens de ônibus que não ocorre desde o ano passado.

Para quem não lembra, depois do governo de Cícero Lucena (PSDB) na prefeitura da Capital, todos os anos os pobres empresários falidos do sistema público de transporte da cidade tiveram suas reivindicações aceitas. Desde a concessão de 20 anos de uso gratuito das linhas (concessão pública) dada pelo ex-prefeito Pê-Ésse-Dê-bista, até os dois aumentos em um único ano concedido por outro ex-prefeito, e atual governador do Estado, o Socialista Ricardo Coutinho, à implementação de um sistema eletrônico de fiscalização de uso do direito à meia-passagem por parte dos estudantes, o empresariado não tinha se deparado com quase dois anos sem aumentos. E, como não podiam deixar por menos, organizaram uma forma inusitada de forçá-lo: para reparar as perdas salariais dos sindicalizados motoristas e cobradores do sistema, alguém vai ter que pagar essa conta. Como sempre, um aumento de salário e o não aumento das passagens pode culminar com a falência dos tão surrados donos do espaço público.

Trocando em miúdos, quem sustenta esse sistema é o usuário que, por sua vez, só tem um direito nessa estória toda: reclamar do péssimo serviço e assistir a mais um capítulo dessa novela das 8.


14 de mai. de 2014

Transposição do São Francisco

Desde as primeiras informações de que o Governo Federal de Lula ia colocar pra frente o projeto de transposição do Rio São Francisco, eu me coloquei contrário a ideia.

É obvio que existem o outros interesses acima dessa transposição, como as empreiteiras que se beneficiariam com dinheiro público, as ilhas que se formariam em propriedades de coronéis e políticos interior a dentro, e outras questões ambientais, como o uso excessivo de água em terrenos que, por sua formação, necessitam exatamente do contrário, etc.

Porém, entendendo que mais de 50 milhões de nordestino ainda não dispõem de água sequer pra beber, e sabendo que a indústria da seca, que alimenta cofres de municípios e contas bancárias de prefeitos e deputados nesse interiorzão nosso, e que a problemática da convivência com a seca é, também, causada pela cultura do uso da água e do solo, e que, essa cultura jamais será trabalhada, visto que depende de vontade política (não vou ser redundante...), seria um crime continuar me colocando contra este projeto. Continuo critico, mas não contra.

No mais, acredito na importância do geografo nesse momento. Tanto para estudar os impactos sócio-ambientais que isso pode causar, quanto com a realização de trabalhos e pesquisas que visem uma qualificação das pessoas que serão diretamente atendidas pelo transporte dessas águas, pra que tanto dinheiro público não se converta em benesses pra meia dúzia de fazendeiros do agronegócio.

Indico leitura do texto publicado no blog de Paulo Henrique Amorim, Conversaafiada, sobre a visita da presidenta Dilma às obras da transposição no sertão da Paraíba, Pernambuco e Ceará:

8 de mai. de 2014

Desmilitarizar as polícias. Você é contra?


“Em cinco anos, PM de São Paulo mata mais que todas as polícias dos EUA juntas: Corporação paulista matou 6% mais que polícias americanas entre 2005 e 2009.” Luciana Santos, R7. – “Policial mata rapaz que passava em frente ao posto da PM de Catanduva” G1 (12/04/14) – “Caso Amarildo: ‘Eram gritos horríveis’, diz PM sobre tortura do ajudante de pedreiro” Amanda Previdelli, do BrasilPost. Estes são apenas alguns exemplos da atuação policial no Brasil. Na grande maioria, a polícia em questão, é a Militar. Mas, o que há de errado com ela? Será o fato de que o militar, em sua essência, recebe treinamento para eliminar o inimigo? Em resposta, deve-se colocar que essa é a função básica das forças armadas, na defesa do território e dos interesses de uma nação. Mas, e a sociedade? Inimiga de quem?

Coloco esse assunto em pauta, porque está acontecendo até o dia 15 de maio deste ano, uma enquete no portal do Senado Federal sobre a desmilitarização das polícias estaduais. No mesmo espaço, encontra-se disponível a Proposta de Emenda à Constituição, a famosa PEC, de numero 51. A enquete encontra-se aqui, neste 'link', no canto superior direito da página.

E qual a justificativa para isso?

Quem é, ou conhece a estrutura militar, sabe que o policial segue, mais que a qualquer outra coisa, uma busca pela disciplina. Essa estrutura, a militar, é pautada pela disciplina, já falada, e também pela hierarquia, e a falta de disciplina, ou o descumprimento de ordens expressas de um superior, pode ser enquadrado como insubordinação ou crime de desobediência, previsto no Código Penal Militar, art. 163. No texto “O crime de desobediência militar e a ordem ilegal” de Matheus Cintra Bezerra (do portal JUS Navigandi, 2010), o autor chega a refletir que é “certo que o respeito aos comandos emanados dos superiores pelos subordinados deve ser atendido de forma quase incondicional, sob pena de colapso do sistema militar.”, e faz a devida ressalva quando diz que é ilógico se pensar que toda e qualquer ordem deva ser obedecida. Em outras palavras, ele assume que ordem absurda não deve ser cumprida.

Dito isto, essa premissa por si só já explica, em grande medida, o motivo pelo qual, nos trabalhos de elaboração da Constituição Federal de 1988, o militarismo não tenha sido retirado das polícias, que tanto serviram aos governos da ditadura. 

Porque? Explico. Imagine o militar, praça, em grande parte, à época, com pouca instrução (como a grande massa da sociedade também), sob um determinado comando, por mais ilegal ou fora de contexto que parecesse, se negando a realiza-lo? Vale expor que a pena, para este tipo de crime, é de detenção de um a dois anos, conforme o art. 163. Você ousaria negar a ordem?

Não muito distante, e dada a cultura enraizada desse “Eu mando. Você obedece, ou vai pro xadrez”, nos dias atuais, mesmo com o ingresso de muitos bacharéis e, até mesmo especialistas ou mestres, nas policias, não é raro casos de prisão administrativa, instauração de inquérito e cumprimento de penas por desobediência. Contudo, isso não explica a truculência com que os policiais atuam frente à sociedade. Mas já sinaliza que algo está errado. 

Sob a luz dessa cultura, os cursos de formação são repletos de treinamentos físicos que jogam ao limite, qualquer atleta de ponta. Além disso, a humilhação e a tortura psicológica por que passam os recrutas, vão moldando, ao longo de meses, ou anos, de curso, a forma de pensar e de agir dos futuros policiais militares. A página da Folha de São Paulo, em 28 de dezembro de 2013, traz um texto do deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, com o título “Desmilitarizar a PM já”, que se inicia questionando o que a sociedade pode esperar de policiais que são obrigados a sentar e fazer flexões no asfalto escaldante, em alusão ao treinamento de PM’s no Rio, quando um recruta veio a óbito e outros 33 (trinta e três) passaram mal ao se submeterem a exercícios físicos sob temperaturas de 42 graus. 

Não fosse apenas isso, as péssimas condições de trabalho e a distancia espacial entre salários e benefícios, ou regalias, dispensadas entre o grupo de soldados, cabos e sargentos (praças), e os oficiais, e os diversos tipos de abuso de poder, também condicionam o comportamento do policial nas ruas.

Ainda, a burocracia, a inexistência da própria democracia e de direitos fundamentais inerentes ao cidadão comum, como o direito de se expressar, de filiação sindical, de greve e de luta por melhores salários, por exemplo, além de perseguições, contam ponto negativo para uma otimização dos serviços internos, que vão refletir, também, no serviço externo.

Se a estrutura militar é tão ruim, então porque não desmilitarizou?

Mexer numa estrutura que permaneceu inalterada por décadas requer, acima de tudo, mexer em egos, em status, em regalias, em ciúmes, em certezas de impunidades por parte de oficiais de alto nível (pelo menos internamente), e até mesmo de praças, que se utilizam do ‘ser militar’ para impor medo, em alguns casos. Mas, mexe, principalmente, na estrutura do poder estadual: manter o policial militar sob controle, como abelhas operárias sob o comando da rainha, é fundamental para o governo. É o poder enviar tropas para conter manifestações, expulsar invasores e derrubar barracos, na certeza da obediência plena. É saber que poderá manter a sociedade sob vigília permanente, mesmo ela pensando estar sendo protegida. E ai está o fio da meada.

Quando a PEC 51 (leia o texto) é colocada em pauta, não é o caos da segurança pública que está sendo proposto, como insinuam alguns militares contrários ao projeto, mas a humanização de servidores públicos efetivos e concursados dessas polícias, que devem acima de tudo, prestar serviço à sociedade. 

Contudo, a finalização da enquete não determina, pelo menos de imediato, que a pauta seja votada, mas, a intenção, ou o sentimento do que os brasileiros esperam do Senado.


Imagens retiradas de: 
http://www.patosnoticias.com.br/uploads/noticia/imagem/11484/csc_0902.JPG e
http://www.abi.org.br/wp-content/uploads/images/invasao2.jpg

Links utilizados para pesquisa:



11 de mar. de 2014

Classes médias, governos e conveniências

Em 2002 a classe média, amordaçada financeiramente pelos desastrosos 8 anos de governo neo-liberal do PSDB, decidiu dar um basta na falta de crescimento de suas cifras e votou em peso no governo esquerdisto-meia-boca do PT-PL.

Era as igrejas católica e universal se aliando pra salvar o Brasil. Na verdade, era uma aliança pra salvar a classe média.

O que os medioclassistas não sabiam era que o governo Lula ia colocar mais algumas dezenas de milhões de brasileiros entre eles.

A classe média enforcou o governo legitimamente burguês, em 2002, por não suportar perder mais dinheiro. Temos que ter cuidado com ela. Ela é vingativa. Tendo, agora, que dividir espaço nos aeroportos, avenidas e condomínios com antigos pobres, ela, a classe média, vai fazer de tudo pra dar o troco. Isso inclui, para além da perspectiva de vitória nas urnas, um golpe.

Não é a corrupção que incomoda. Até porque não foi o PT que criou, nem muito menos ela é maior hoje do que foi em outros governos. Mas, o que alimenta essa fúria anti-governo petista é a incerteza de que os filhos da classe média tenham uma vaga garantida na universidade pública federal (de qualidade inquestionável), no concurso público ou nos estacionamentos de shoppings, boates, etc.

Por isso, pros que não conhecem nada da historia dos últimos anos dos últimos governos, indico paciência e este link, onde há um vídeo que explica aos jovens a realidade de dois tempos bem recentes:

21 de nov. de 2013

Textículo

Faz algum tempo, e venho notando o quanto a população brasileira, historicamente condenada por sua leitura irregular, digo, pela falta de habito de ler, vem se transformando frente a esse estigma. Hoje, conscientemente politizada e dona de um senso crítico invejável, essa população se orgulha dos mais de 5 minutos diários que dedica ao ato de folhear VEJA e rir do significado das piadas de humor "branco" de JÁ, ao tempo em que não perde um episódio de JN, quando, logo em seguida, se debruça sobre os mais variados canais de disseminação da informação de poucos nas redes sociais.

Piada feita, agora me dedico a colocar minha preocupação: será que os brasileiros realmente podem se orgulhar desse avanço? Será que a leitura extremamente superficial que se faz de tudo, desde um texto pequeno como este, a uma nota, notícia ou matéria jornalística, é de fato um avanço? A bestialidade da classe média, e da chamada nova classe média, me chama muito a atenção!