14 de jul. de 2014

Carta de um Zé à Ninguém

Sou um rapaz pobre. Já fui mais. Nasci pobre, filho de mãe solteira e desempregada. Não sou ninguém muito importante. Sou apenas mais um brasileiro como milhões que surgiram como fruto do que foi o Brasil desde a sua invasão pelos europeus, e que se agravou profundamente durante o período da Ditadura Militar.

Cresci vendo minha mãe pular de emprego em emprego. Ficar devendo o aluguel da casa e de sempre ter que escolher entre pagar a dívida da mercearia do mês passado ou quitar uma das contas de água ou de luz para que não cortassem.

Me revoltei contra esse sistema que teimava em me dizer que, a mim, só restava continuar pobre, analfabeto e virar ladrão de galinha ou, com muita sorte, conseguir um emprego de cortador de grama em algum condomínio de luxo e ajudar nas despesas de casa. Me revoltei e lutei contra isso.

Lutei com as armas que tinha. Estudei. E eram horas dentro de casa, lendo, resolvendo problemas da escola, lendo novamente, enquanto ouvia os gritos dos meus amigos na rua, jogando bola, gastando as energias com coisas que toda criança gosta de fazer, e deve fazer. Mas eu? Eu saia pra brincar, mas só depois de me certificar de que tinha absorvido o que havia planejado para aquele dia.

Cresci. Virei adolescente. Continuei vendo meus amigos um pouco mais abastardos continuarem jogando, fazendo parte dos times da escola, viajando, e eu, estudando.

Dai, lembro que, passada a ressaca do Brasil arruinado pelo Governo Militar, veio a primeira eleição de um governo democrático. A conjuntura mundial já me chamava à atenção. A Rússia era socialista e os filmes que passavam na Globo (única emissora de TV que dava pra assistir com uma antena qualquer) me diziam que aquilo era ruim. Era o satanás querendo dominar o mundo. E era fácil absorver aquilo. Não existia internet. Se existisse, eu jamais teria acesso a ela, pois não tinha como comprar um computador.

Depois de ver aqueles filmes tipo 007, me debruçava nos livros de história que me contavam apenas a história que interessava aos dominantes.

Nesse meio tempo, eu vi o presidente eleito por vias democráticas ser destituído do seu cargo, também por vias democráticas. E vi também o segundo presidente eleito por essas tais vias democráticas dilapidar, em apenas sete anos, todo um patrimônio de uma nação que levou séculos para ser construído. Mesmo assim, continuei estudando. E gostava. Mas o sistema sempre foi cruel comigo. Na 5ª série foi contemplado com uma bolsa de estudos de uma escola que era referencia na região e, no ano seguinte, o presidente da República decidiu que o governo não deveria mais subsidiar estas bolsas. Fiz o que pude. Recebi ajuda de familiares e continuei estudando. Fui até o 3º ano com muita garra. Trabalhei como menor aprendiz em troca de meio salário mínimo, algo em torno de R$ 60,00. Consegui entrar num curso superior. Na época, como não existiam muitas vagas nas universidades federais, me restou, então, uma universidade privada.

Frequentei o curso ainda por dois anos e, depois de ter tentado o exercito, ter sido aprovado em todas as etapas do núcleo de formação de oficiais, algo que poderia me dar uma perspectiva melhor para concluir o curso, novamente, o presidente me passou a perna. Mandou fechar vários cursos de formação de oficiais da época, com a desculpa de ter que diminuir os gastos da Nação. Não conseguindo FIES e não havendo um PROUNI, tive que dar adeus aos meus colegas da graduação. Nesse tempo, os níveis de corrupção no país eram altíssimos, mas ninguém ficava sabendo porque denuncias e processos eram engavetados, e como os governantes dominavam também a mídia, nada era questionado ou divulgado. As empresas estatais, vendidas para diminuir a dívida externa, sequer supriram os juros dela. E eu me vi cada vez mais pobre, junto com o pais.

Tudo estava acabando. A classe média estava acabando. E então, eis que ela resolve aderir a um projeto diferente de governo. Em 2002, pela primeira vez, um presidente advindo das classes mais baixas da sociedade, um semianalfabeto, vândalo e nordestino, foi eleito presidente.

Demorou, mas, aos poucos, tudo foi mudando. As bolsas-auxílios, que já existiam, foram criticadas, mas mantidas, e ajudaram e ajudam nas despesas de milhões de famílias que, em troca, precisam apenas manter os filhos nas escolas, com boas frequência e notas. As vagas nas universidades federais aumentaram consideravelmente, e chegaram, inclusive, a regiões onde jamais se pensou em, sequer, se ter uma escola técnica. PROUNI, REUNI, bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado...

A política dos dois governos anteriores continua com o governo atual e é ele quem subsidia a compra de imóveis, veículos e eletrodomésticos. Diminuiu as taxas de juros. Fez caixa para pagar a divida externa e hoje financia outros países. Melhorou alguns portos, vários aeroportos. Inclusive, hoje é possível viajar de avião. Hoje é possível viajar! O Brasil fez uma Copa e vai fazer uma edição de Olimpíadas. Investiu em segurança, em cultura, na valorização do serviço e do servidor público com aquisição de equipamentos e melhoria das estruturas, e com a contratação em massa de novos funcionários através de concursos. Aliviou a folha dos Estados e Municípios para que estes também se reestruturassem e contratassem mais.

Ainda assim, algumas dezenas de milhares de brasileiros por ideologia política, ou por pura alienação, pregam na cruz a líder de uma nação por problemas que não são de competência dela e que se formaram desde o período da colonização. Gritam freneticamente contra a corrupção, mas não conseguem perceber a quem estão servindo com esse grito desesperado. E a lógica não se completa.

Por isso, mesmo reconhecendo que os avanços foram muitos, mas não o suficiente, é de extrema importância para mim, e para pessoas com um histórico parecido com o meu, lutar para que os falso profetas do apocalipse, aliados dos grandes centros de mídia nacional, de igrejas (católicas ou protestantes), de ruralistas e banqueiros, não retomem o governo que tanto lhes faz falta. Porque se é verdade que a história se repete, eu não quero passar novamente pelo que já passei.


Ah! E quanto à Rússia e o socialismo? Eu acho que o povo brasileiro prefere o capitalismo mesmo. Infelizmente.

7 de jul. de 2014

Greve dos motoristas e cobradores em João Pessoa: aumenta o valor da passagem que "eles volta", prefeito!

O título é uma brincadeira. rsrsrsrs. Vamos, riam. É uma piada!

Ops!!!

Não! Não é uma piada!

Na ótica de dona Vilma Borges, a greve iniciada nessa manhã de segunda-feira, é uma manobra política, possivelmente capitaneada pela AETC-JP (Associação das Empresas de Transporte Coletivo de João Pessoa) para forçar o aumento das passagens de ônibus que não ocorre desde o ano passado.

Para quem não lembra, depois do governo de Cícero Lucena (PSDB) na prefeitura da Capital, todos os anos os pobres empresários falidos do sistema público de transporte da cidade tiveram suas reivindicações aceitas. Desde a concessão de 20 anos de uso gratuito das linhas (concessão pública) dada pelo ex-prefeito Pê-Ésse-Dê-bista, até os dois aumentos em um único ano concedido por outro ex-prefeito, e atual governador do Estado, o Socialista Ricardo Coutinho, à implementação de um sistema eletrônico de fiscalização de uso do direito à meia-passagem por parte dos estudantes, o empresariado não tinha se deparado com quase dois anos sem aumentos. E, como não podiam deixar por menos, organizaram uma forma inusitada de forçá-lo: para reparar as perdas salariais dos sindicalizados motoristas e cobradores do sistema, alguém vai ter que pagar essa conta. Como sempre, um aumento de salário e o não aumento das passagens pode culminar com a falência dos tão surrados donos do espaço público.

Trocando em miúdos, quem sustenta esse sistema é o usuário que, por sua vez, só tem um direito nessa estória toda: reclamar do péssimo serviço e assistir a mais um capítulo dessa novela das 8.


14 de mai. de 2014

Transposição do São Francisco

Desde as primeiras informações de que o Governo Federal de Lula ia colocar pra frente o projeto de transposição do Rio São Francisco, eu me coloquei contrário a ideia.

É obvio que existem o outros interesses acima dessa transposição, como as empreiteiras que se beneficiariam com dinheiro público, as ilhas que se formariam em propriedades de coronéis e políticos interior a dentro, e outras questões ambientais, como o uso excessivo de água em terrenos que, por sua formação, necessitam exatamente do contrário, etc.

Porém, entendendo que mais de 50 milhões de nordestino ainda não dispõem de água sequer pra beber, e sabendo que a indústria da seca, que alimenta cofres de municípios e contas bancárias de prefeitos e deputados nesse interiorzão nosso, e que a problemática da convivência com a seca é, também, causada pela cultura do uso da água e do solo, e que, essa cultura jamais será trabalhada, visto que depende de vontade política (não vou ser redundante...), seria um crime continuar me colocando contra este projeto. Continuo critico, mas não contra.

No mais, acredito na importância do geografo nesse momento. Tanto para estudar os impactos sócio-ambientais que isso pode causar, quanto com a realização de trabalhos e pesquisas que visem uma qualificação das pessoas que serão diretamente atendidas pelo transporte dessas águas, pra que tanto dinheiro público não se converta em benesses pra meia dúzia de fazendeiros do agronegócio.

Indico leitura do texto publicado no blog de Paulo Henrique Amorim, Conversaafiada, sobre a visita da presidenta Dilma às obras da transposição no sertão da Paraíba, Pernambuco e Ceará:

8 de mai. de 2014

Desmilitarizar as polícias. Você é contra?


“Em cinco anos, PM de São Paulo mata mais que todas as polícias dos EUA juntas: Corporação paulista matou 6% mais que polícias americanas entre 2005 e 2009.” Luciana Santos, R7. – “Policial mata rapaz que passava em frente ao posto da PM de Catanduva” G1 (12/04/14) – “Caso Amarildo: ‘Eram gritos horríveis’, diz PM sobre tortura do ajudante de pedreiro” Amanda Previdelli, do BrasilPost. Estes são apenas alguns exemplos da atuação policial no Brasil. Na grande maioria, a polícia em questão, é a Militar. Mas, o que há de errado com ela? Será o fato de que o militar, em sua essência, recebe treinamento para eliminar o inimigo? Em resposta, deve-se colocar que essa é a função básica das forças armadas, na defesa do território e dos interesses de uma nação. Mas, e a sociedade? Inimiga de quem?

Coloco esse assunto em pauta, porque está acontecendo até o dia 15 de maio deste ano, uma enquete no portal do Senado Federal sobre a desmilitarização das polícias estaduais. No mesmo espaço, encontra-se disponível a Proposta de Emenda à Constituição, a famosa PEC, de numero 51. A enquete encontra-se aqui, neste 'link', no canto superior direito da página.

E qual a justificativa para isso?

Quem é, ou conhece a estrutura militar, sabe que o policial segue, mais que a qualquer outra coisa, uma busca pela disciplina. Essa estrutura, a militar, é pautada pela disciplina, já falada, e também pela hierarquia, e a falta de disciplina, ou o descumprimento de ordens expressas de um superior, pode ser enquadrado como insubordinação ou crime de desobediência, previsto no Código Penal Militar, art. 163. No texto “O crime de desobediência militar e a ordem ilegal” de Matheus Cintra Bezerra (do portal JUS Navigandi, 2010), o autor chega a refletir que é “certo que o respeito aos comandos emanados dos superiores pelos subordinados deve ser atendido de forma quase incondicional, sob pena de colapso do sistema militar.”, e faz a devida ressalva quando diz que é ilógico se pensar que toda e qualquer ordem deva ser obedecida. Em outras palavras, ele assume que ordem absurda não deve ser cumprida.

Dito isto, essa premissa por si só já explica, em grande medida, o motivo pelo qual, nos trabalhos de elaboração da Constituição Federal de 1988, o militarismo não tenha sido retirado das polícias, que tanto serviram aos governos da ditadura. 

Porque? Explico. Imagine o militar, praça, em grande parte, à época, com pouca instrução (como a grande massa da sociedade também), sob um determinado comando, por mais ilegal ou fora de contexto que parecesse, se negando a realiza-lo? Vale expor que a pena, para este tipo de crime, é de detenção de um a dois anos, conforme o art. 163. Você ousaria negar a ordem?

Não muito distante, e dada a cultura enraizada desse “Eu mando. Você obedece, ou vai pro xadrez”, nos dias atuais, mesmo com o ingresso de muitos bacharéis e, até mesmo especialistas ou mestres, nas policias, não é raro casos de prisão administrativa, instauração de inquérito e cumprimento de penas por desobediência. Contudo, isso não explica a truculência com que os policiais atuam frente à sociedade. Mas já sinaliza que algo está errado. 

Sob a luz dessa cultura, os cursos de formação são repletos de treinamentos físicos que jogam ao limite, qualquer atleta de ponta. Além disso, a humilhação e a tortura psicológica por que passam os recrutas, vão moldando, ao longo de meses, ou anos, de curso, a forma de pensar e de agir dos futuros policiais militares. A página da Folha de São Paulo, em 28 de dezembro de 2013, traz um texto do deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, com o título “Desmilitarizar a PM já”, que se inicia questionando o que a sociedade pode esperar de policiais que são obrigados a sentar e fazer flexões no asfalto escaldante, em alusão ao treinamento de PM’s no Rio, quando um recruta veio a óbito e outros 33 (trinta e três) passaram mal ao se submeterem a exercícios físicos sob temperaturas de 42 graus. 

Não fosse apenas isso, as péssimas condições de trabalho e a distancia espacial entre salários e benefícios, ou regalias, dispensadas entre o grupo de soldados, cabos e sargentos (praças), e os oficiais, e os diversos tipos de abuso de poder, também condicionam o comportamento do policial nas ruas.

Ainda, a burocracia, a inexistência da própria democracia e de direitos fundamentais inerentes ao cidadão comum, como o direito de se expressar, de filiação sindical, de greve e de luta por melhores salários, por exemplo, além de perseguições, contam ponto negativo para uma otimização dos serviços internos, que vão refletir, também, no serviço externo.

Se a estrutura militar é tão ruim, então porque não desmilitarizou?

Mexer numa estrutura que permaneceu inalterada por décadas requer, acima de tudo, mexer em egos, em status, em regalias, em ciúmes, em certezas de impunidades por parte de oficiais de alto nível (pelo menos internamente), e até mesmo de praças, que se utilizam do ‘ser militar’ para impor medo, em alguns casos. Mas, mexe, principalmente, na estrutura do poder estadual: manter o policial militar sob controle, como abelhas operárias sob o comando da rainha, é fundamental para o governo. É o poder enviar tropas para conter manifestações, expulsar invasores e derrubar barracos, na certeza da obediência plena. É saber que poderá manter a sociedade sob vigília permanente, mesmo ela pensando estar sendo protegida. E ai está o fio da meada.

Quando a PEC 51 (leia o texto) é colocada em pauta, não é o caos da segurança pública que está sendo proposto, como insinuam alguns militares contrários ao projeto, mas a humanização de servidores públicos efetivos e concursados dessas polícias, que devem acima de tudo, prestar serviço à sociedade. 

Contudo, a finalização da enquete não determina, pelo menos de imediato, que a pauta seja votada, mas, a intenção, ou o sentimento do que os brasileiros esperam do Senado.


Imagens retiradas de: 
http://www.patosnoticias.com.br/uploads/noticia/imagem/11484/csc_0902.JPG e
http://www.abi.org.br/wp-content/uploads/images/invasao2.jpg

Links utilizados para pesquisa:



11 de mar. de 2014

Classes médias, governos e conveniências

Em 2002 a classe média, amordaçada financeiramente pelos desastrosos 8 anos de governo neo-liberal do PSDB, decidiu dar um basta na falta de crescimento de suas cifras e votou em peso no governo esquerdisto-meia-boca do PT-PL.

Era as igrejas católica e universal se aliando pra salvar o Brasil. Na verdade, era uma aliança pra salvar a classe média.

O que os medioclassistas não sabiam era que o governo Lula ia colocar mais algumas dezenas de milhões de brasileiros entre eles.

A classe média enforcou o governo legitimamente burguês, em 2002, por não suportar perder mais dinheiro. Temos que ter cuidado com ela. Ela é vingativa. Tendo, agora, que dividir espaço nos aeroportos, avenidas e condomínios com antigos pobres, ela, a classe média, vai fazer de tudo pra dar o troco. Isso inclui, para além da perspectiva de vitória nas urnas, um golpe.

Não é a corrupção que incomoda. Até porque não foi o PT que criou, nem muito menos ela é maior hoje do que foi em outros governos. Mas, o que alimenta essa fúria anti-governo petista é a incerteza de que os filhos da classe média tenham uma vaga garantida na universidade pública federal (de qualidade inquestionável), no concurso público ou nos estacionamentos de shoppings, boates, etc.

Por isso, pros que não conhecem nada da historia dos últimos anos dos últimos governos, indico paciência e este link, onde há um vídeo que explica aos jovens a realidade de dois tempos bem recentes:

21 de nov. de 2013

Textículo

Faz algum tempo, e venho notando o quanto a população brasileira, historicamente condenada por sua leitura irregular, digo, pela falta de habito de ler, vem se transformando frente a esse estigma. Hoje, conscientemente politizada e dona de um senso crítico invejável, essa população se orgulha dos mais de 5 minutos diários que dedica ao ato de folhear VEJA e rir do significado das piadas de humor "branco" de JÁ, ao tempo em que não perde um episódio de JN, quando, logo em seguida, se debruça sobre os mais variados canais de disseminação da informação de poucos nas redes sociais.

Piada feita, agora me dedico a colocar minha preocupação: será que os brasileiros realmente podem se orgulhar desse avanço? Será que a leitura extremamente superficial que se faz de tudo, desde um texto pequeno como este, a uma nota, notícia ou matéria jornalística, é de fato um avanço? A bestialidade da classe média, e da chamada nova classe média, me chama muito a atenção!

12 de out. de 2013

Praça da Paz: tão em paz que foi esquecida

Faz algum tempo, me chamaram a atenção para o descaso com a Praça da Paz, situada no bairro dos Bancários, Zona Sul de João Pessoa. Desde então tenho passado por lá e observado como esse descaso, cuja responsabilidade parte do governo municipal, pode estar incomodando os freqüentadores daquele local.

Inicialmente, a grama, que virou mato, em mais alguns meses e vai evoluir pra uma mata. Apesar de simpatizar com a idéia de termos mais espaços verdes na cidade, pelo menos ali acredito não ser um lugar ideal para isso.

Tento entender o motivo do descaso. Será que é porque aquela praça foi a “menina dos olhos” do ex-prefeito, atual ditador, digo, governador? Se for, é preciso que a atual gestão municipal entenda que a praça não é do tal fulano. Foi construída com dinheiro do povo e é um equipamento muito bem utilizado por este mesmo povo.

Hoje, dia das crianças, dia da padroeira do Brasil, sábado, foi um dia como outro qualquer... crianças brincando, famílias reunidas, jovens paquerando, alguns outros pegando uma vibe massa... e eu estava lá. Fui levar algumas crianças, juntamente com minha esposa, e estávamos no parquinho, que diga-se de passagem não tem quase nenhum atrativo pras crianças, a não ser um labirinto, algumas gangorras, um escorrego, três balaços e alguma outra coisa que não esteja lembrado. E foi ai que percebi que, além da falta de zelo causar mal-estar entre os freqüentadores, pode acarretar perigo às crianças.
 
Pra começar o espaço por si já é inadequado para crianças brincarem sozinhas. E o projeto eu credito aos dois governos anteriores.  Mas, não substituir os brinquedos e ainda por cima deixar que uma gangorra, de ferro, onde pessoas sentam para se brincar, se transforme em uma navalha, que pode cortar roupas e até perna ou bunda de quem o utiliza, ai já são outros quinhentos.

Depois, o labirinto virou uma espécie de banheiro público. Nem precisa andar muito dentro dele pra perceber outros "brinquedinhos" que deixaram lá, que permanece até hoje, e,  certamente, permanecerá até o tempo levá-lo. 




Fora isso, muito lixo e garrafas quebradas adicionam mais adrenalina nos corações de mães e de pais que, alheio ao espaço privado que se tornou aquele lugar, com a locação de brinquedos elétricos, têm que se conformar com que a praça oferece gratuitamente.


No mais, acredito que o atual governo, que inclusive eu ajudei a construir, possa rever sua política de praças e, assim, dar mais atenção a esta e a outras tantas praças abandonadas pela cidade.

22 de set. de 2013

Consciente politicamente


Ouvi dizer, certa vez, que o povo brasileiro tem consciência política. Era difícil crer porque as pessoas que me falavam aquilo eram pessoas conscientes politicamente de que aquele discurso não era verídico. Hesitei! Fui rechaçado. Continuei minha saga de homem do contra até nas rodas de pessoas ‘do contra’. Tão logo me vi sem mais argumentos para convencer quem quer que fosse, me calei. E aguardei.

Daí, vieram as manifestações da época em que o gigante havia acordado. E li (e ouvi) que o povo brasileiro tinha consciência política. Afinal, estavam reivindicando seus direitos. Dessa vez, quem esbravejava que o povo tinha tamanha conscientização de ser socialmente político era a famigerada classe política. Só que eram os do outro lado. Os acostumados a repassar suas cadeiras nas câmaras e casas governamentais a seus filhos. Os donatários de imensa lista de denuncias de corrupção sequer julgadas em outros tempos. Era a tal classe política a quem exatamente não interessava o povo brasileiro ter consciência política. E o que havia de errado nisso? E porque eu insisto comigo mesmo que eu estava certo no episódio anterior?

Quando militantes de esquerda (ou socialistas) dizem para não subestimarmos o povo porque ele (o povo) sabe da importância do seu papel na formação da sociedade, ao que eu chamo de consciência política, na verdade, estes guerreiros, sedentos por uma sociedade mais justa e igualitária, querem se convencer de que a suas lutas por conscientizar o povo não estavam sendo em vão.

Contudo, quando o gigante acordou, cutucado pela imprensa burguesa, rasgou bandeiras, xingou e agrediu manifestantes, quebrou patrimônio público, e gritou palavras de ordem contra o governo, contra o partido dos trabalhadores e contra qualquer um que parecesse favorável a este governo, tomar o controle das manifestações sem ferir o sentimento de liberdade do gigante sonolento foi uma sacada midiática genial, colocada em prática de supetão, e que parecia que vinha dando certo.

Dizer que o povo brasileiro tem consciência política e colocar esse povo a par de que sua consciência é valida, massageia o ego das multidões que foram as ruas lutar pelo que nem sabiam porque estavam lutando. E inflamava o povo a continuar estufando o peito, dizendo-se capaz de raciocinar, mesmo que desligasse a TV ou rasgasse a revista. Mesmo que se desconectasse do twitter e do facebook.

É a mesma coisa que fazem agora os poucos brasileiros que ainda conversam nos espaços de sociabilidade e de contato físico. É a mesma coisa que fazem agora as dezenas de milhões nesta nação que não conseguem dar um logout na Globo/Veja e nos perfis do Anonymous e dos Revoltados Online, frente à decisão de uma corte suprema que votou pela validade de uma peça jurídica, esquecendo que o que decide o STF, cabe como exemplo de jurisprudência para outras deliberações futuras, válidas também para as pessoas comuns. Esses brasileiros conscientes clamam por justiça, mesmo que se aja com injustiça contra aqueles a quem se tem aversão.

Como bem postou Flavio Menezes em seu perfil do facebook, citando partes do texto O DIA EM QUE CHICO BUARQUE VIROU GENI, em outras palavras (alteradas por mim, agora), falta uma força de vontade desse povo brasileiro consciente politicamente para parar e refletir, ainda que por apenas alguns minutos. A mesma força de vontade que eles dispensam para republicar, curtir e compartilhar as idéias de uma gente que eles nem têm idéia de quem são!

25 de jul. de 2013

Voz dos empresários de onibus de João Pessoa pega Taxi


Certa vez, lideranças do Movimento Estudantil, lá por volta de 2005, receberam cartas de ‘intimidação’ dos órgãos de justiça, “orientando” que, resguardados pela Constituição Federal, no direito de reunir e reivindicar em espaço público, os manifestantes realizassem os seus atos de protesto de forma que também o direito constitucional de ‘ir e vir’ das demais pessoas fosse respeitado.

Uma forma clara de identificar que essa recomendação tinha orientação política (político-governista, nesse caso), estava impressa no uso do aparelho repressor do Estado contra os manifestantes.

Discussões sobre o dever do Estado e o direito dos cidadãos a parte, hoje um fato interessante ocorreu em João Pessoa – PB. Uma imensidão de táxis interceptou a Rua Guedes Pereira, onde se localiza o Paço Municipal (e o Batalhão e o Comando Geral da PM), e exigiam a presença do Prefeito Luciano Cartaxo para uma reunião.  Essa mobilização não fechou somente aquela rua. A partir da Av. Miguel Couto, saída da Lagoa em direção à Cidade Baixa e terminal de integração, estava fechada para ônibus. Todo o Centro da cidade estava congestionado.

Recorrendo ao que recomendava o judiciário aos estudantes, igualmente essa mobilização dos taxistas infringia o direito de ir e vir das pessoas. Daí pensamos: então o órgão repressor do Estado, a Polícia Militar, está toda empenhada para liberar o transito. Certo? Bem! Vamos por partes.

Toda forma de protesto é válida. Exigir melhores condições de trabalho, uma estruturalização da política de praças de taxi, abrigo para taxistas nos seus respectivos pontos, etc., tudo isso é plausível e nós, sociedade civil organizada, e os inclusos em algum grupo político ou movimento social, devemos apoiar e incorporar. Melhorar a qualidade dos serviços de táxi melhora, de alguma forma, nossa qualidade de vida também.  Mas, a principal bandeira dessa categoria não beneficiava a ela (e nem a nós). Eles pediam uma maior fiscalização e combate ao transporte alternativo ‘clandestino’.

Então, de onde eu tirei que isso não beneficia a eles (taxistas)?

Observe que essa luta, mesmo que não esteja em pauta atualmente, é uma luta da AETC-JP, órgão criado para beneficiar as empresas de ônibus. Os “clandestinos” têm preço de passagem diferenciada da praticada pelos taxistas, logo, não competem entre si. Este tipo de transporte é uma alternativa à fragilidade da oferta de ônibus. Ai sim, é onde há concorrência. Talvez minha visão esteja equivocada, mas os alternativos não vão buscar os clientes em shoppings, aeroportos, supermercados e nem, tão pouco, vão deixar em casa. Eles seguem a lógica do itinerário dos ônibus. Pegam passageiros nas paradas de ônibus. Têm passagem ao valor da passagem de ônibus. E isso os taxistas não levam em consideração.

Coincidentemente, os taxistas têm (ou tinham, na minha época) assento no conselho tarifário da cidade e sempre vota(ra)m a favor do aumento. Inconscientemente, ou não, votar a favor do aumento das passagens de ônibus não leva o cidadão a preferir o taxi, como eles podem argumentar. E mais inconscientemente ainda, acabar com o transporte clandestino não beneficia os taxistas, porque o cidadão que paga R$ 2,20 por uma passagem não terá condições de pegar um taxi ao retornar para casa no fim do expediente (ou ir ao trabalho no inicio).

E, finalizando, também coincidentemente, na manifestação de hoje, até onde minha visão alcançou, não se via um PM negociando (ou imprimindo força) a desobstrução do transito.

19 de jul. de 2013

Erro alimentar

Em que aspectos o Governo Federal de Lula e de Dilma errou? Pensar em culpar o governo pelo excesso de corrupção, pelo caos urbano gerado pela facilitação na aquisição de imóveis e veículos, e pela falta de água pelo suposto fracasso na transposição do Rio São Francisco no Nordeste esconde o problema mais elementar para o cotidiano de cada cidadão brasileiro: a falta de comida.

O grande erro do Governo do PT não foi, ainda, deixar de implantar o Marco Regulatório da Mídia, ou baixar a cabeça pras reformas políticas de que o Brasil tanto precisa. Nem tão pouco investir pesado em programas assistencialistas. Estes devem ser perseguidos sim, mas esquecer que "se o campo não planta, a cidade não janta" e, em detrimento disso, subsidiar o agronegócio e a agroexportação é o maior equivoco do governo formulado, em grande parte, pelo maior partido de massas do planeta. Reclamar do resto é reclamar (por enquanto) de barriga cheia.

“Pensamos em resolver o equilíbrio externo, exportar a qualquer custo para obter superávit na balança comercial e o menor déficit possível na balança corrente. E o resíduo das exportações fica com o mercado interno para resolver as questões de estabilidade. Essa equação está equivocada e precisa ser reformulada” Guilherme Delgado, em entrevista ao portal do MST:

http://www.mst.org.br/node/14937